Fábulas fabulosas

Maio 3, 2008 at 9:35 pm (Artigos)

Hierarquia

Diz que um leão enorme ia andando chateado, não muito rei dos animais, porque tinha acabado de brigar com a mulher e esta lhe dissera poucas e boas (1).

Eis que, subitamente, o leão defronta com um pequeno rato, o ratinho mais menor que ele já tinha visto. Pisou-lhe a cauda e, enquanto o rato forçava inutilmente pra escapar, o leão gritava: “Miserável criatura, estúpida, ínfima, vil, torpe: não conheço na criação nada mais insignificante e nojento. Vou te deixar com vida apenas para que você possa sofrer toda a humilhação do que lhe disse, você, desgraçado, inferior, mesquinho, rato!” E soltou-o .

O rato correu o mais que pode, mas, quando já estava a salvo, gritou pro leão: “Será que V. Excelência poderia escrever isso pra mim? Vou me encontrar com uma lesma que eu conheço e quero repetir isso pra ela com as mesmas palavras!”

(1) Ou seja muitas e más.

MORAL: Ninguém é tão sempre inferior.
SUBMORAL: Nem tão nunca superior, por falar nisso

por Millôr.

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um ídolo

Maio 3, 2008 at 9:26 pm (Artigos)

Bíblia do Caos : NOVO EVANGELHO

5: LXXXI a C

LXXXIX.
O Brasil ainda é os Estados Unidos de que eu mais gosto.

LXXXVIII.
Vou andando, como sempre, de vez em quando corro um pouco, o mar à direita, a cidade à esquerda. A areia está dura, seu contato com os pés é um prazer sem igual. Penso, na fluidez do que quase não chega a pensamento: “Sou um homem de praia. Não sou um homem de mar. Vivi toda a minha vida à beira do mar, na praia. Pra mim o mar podia acabar logo ali, na linha do horizonte”.

LXXXVII.
Todos sabem – os poucos que sabem – que sou grande admirador da tecnologia. Mas o progresso é sempre melhor? Sempre? Todo dia a gente vê desastres. Terríveis acidentes aéreos, engavetamento de trens, batida coletiva de automóveis. Você alguma vez ouviu falar de algum acidente com os maravilhosos meios de transporte do passado – soube da queda de algum tapete voador, de alguma batida de vassouras de bruxas, de algum enguiço de botas de sete léguas?

LXXXVI.
Minha homenagem, mais uma vez, a São Sebastião, padroeiro desta mui leal cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Homenagem pequena, mas eu não poderia deixar de fazê-la mais uma vez. Hoje não existe nada de tão representativo do Rio quanto esse São Sebastião todo esburacado. Mas, ao contrário do que pensa a maioria dos devotos, São Sebastião sobreviveu aos buracos ordenados pelo administrador de Roma, Diocleciano. E Diocleciano teve que mandar abatê-lo a pauladas. O Rio não perde por esperar.

LXXXV.
A cada sol que surge, novos e mais novos sinais aparecem de mudanças dos tempos clima & sucessão de horas. Enquanto o frio desagradável que nos assolou (tem sol aí no meio!) vai se dissipando e o ar brilhante da primavera vai penetrando a atmosfera, os ratos de esgoto se tornam mais visíveis, alcatéias de pulhas saem dos ralos e, sobretudo na calada da noite, ouve-se os guinchos e uivos das milícias solertes sentindo seus tugúrios ameaçados pelo calor que aumenta. De vez em quando, insustentáveis, caem do alto alguns gambás não conseguindo mais se sustentar nos galhos e cipós autárquicos. Ao mesmo tempo, alguns raros talentos-malversados são vistos bêbados e cegos pela luz que ameaça despontar. Na saída do túnel vendem-se ainda (forma reflexiva, eles se vendem) muitos sibaritas tediosos da última temporada. Mas há também muita vida antiga preservada no último andar, sobretudo no sótão; gerentes hemiplégicos recebem para derradeira tentativa os vetustos safados. Mas uma janela bate, se abre, e deixa entrar uma lufada (êpa! Nada de Maluf!) de ar fresco, inoculando pneumonia e bronquite nesses remanescentes amigos do peito. Não é necessário ter narinas muito apuradas pra perceber que vai ser tarefa de Hércules livrar toda a área do fedor terrível deixado pelos superexecutivos, vigas, forros, degraus, revestimentos, quase tudo está podre nesta nossa Dinamarca.

LXXXIV.
Proverbial: tanto é verdade que o dinheiro pode tudo que uma pequena moeda, a menor moeda do fabulário econômico, colocada junto ao olho, esconde a luz do sol.

LXXXIII.
Estamos, de novo, fazendo um gigantesco esforço pra desapurar tudo que já desapuramos há muito tempo, quem está com o bilhão e quem é sócio do bilhão. Parece que desta ninguém escapa, estão envolvendo até o Presidente. E todo o país respira aliviado. O Brasil vira mais uma página de sua História?

PS: A interrogação que botamos na frase é pra não exagerar no otimismo. Mas resolvemos dar a eles o benefício da dúvida, perdão da dívida!

LXXXII.
Fiquem tranqüilas as autoridades. No Brasil jamais vai haverá epidemia de cólera. Nosso povo morre é de passividade.

LXXXI.
Lula sabe, Lula é um estudioso da mitologia grega. Daí sua popularidade. Aprendeu com os deuses do Olimpo que pode cruzar mil burros brancos com mil mulas pretas que não dá zebra.

por Millôr.

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” Ler e prazer ”

Abril 13, 2008 at 3:25 pm (Artigos)

” Quando minha filha estava sendo introduzida na literatura o professor lhes deu como dever de casa ler e fichar um livro chatíssimo. Sofrimento dos adolescentes, sofrimento para os pais. A pura visão do livro provocava uma preguiça imensa, aquela preguiça que Barthes declarou ser essencial à experiência escolar. Escrevi carta delicada ao professor lembrando-lhe que Borges havia declarado que não havia razão para se ler um livro que não dá prazer quando há milhares de livros que dão prazer. Sugeri-lhe começar por algo mais próximo da condição emotiva dos jovens. Ele me respondeu com o discurso de esquerda, que sempre teve medo do prazer: “ O meu objetivo é produzir a consciência crítica…” Quando eu li isso percebi que não havia esperança. O professor não sabia o essencial. Não sabia que literatura não é para produzir consciência crítica. O escritor não escreve com intenções didático-pedagógicas. Ele escreve para produzir prazer. Para fazer amor. Escrever e ler são formas de fazer amor. É por isso que os amores pobres em literatura ou são de vida curta, ou são de vida longa e tediosa… Parodiando as palavras de Jesus “nem só de beijos e transas viverá o amor mas de toda palavra que sai das mãos dos escritores…”

Rubem Alves.

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Uma hora vai voltar pra você

Janeiro 6, 2008 at 4:32 pm (Artigos)

Vi um comercial num canal chamado Mundial ( que só passa clip’s ) e amei , após ver dezenas d vezes , resolvi entrar no site q anunciava no final da apresentação do comercial e lá achei …

 ”Há uma urgência em fazermos algo pelo nosso planeta … O filme capturou esse espírito de maneira exemplar. É um filme que trata de tema muito sério, a degradação ambiental, porém é lúdico, positivo, aponta a responsabilidade do homem, seu papel, e também soluções, pois ainda há tempo”.

O personagem não tem consciência da magnitude do que faz, que uma “pequena” ação pode dar início a um efeito dominó, cujas conseqüências acabam por recair sobre ele próprio. A grande mensagem do filme é que, uma hora, o que você faz tem volta, vai chegar em você. Se você não se engajar nesta luta, se você não tentar reverter este cenário de devastação, mesmo que através de pequenos gestos e atitudes que se somarão com gestos de milhões de outros, um dia tudo pode cair na sua cabeça. Literalmente.

“A cobiça, a busca inconseqüente apenas pelo lucro, pode ser devastadora e seus reflexos surgem cada vez mais rapidamente, mais próximas de nós. Quando falamos de problemas ambientais, queimadas, o nível dos oceanos subindo, poluição, desmatamento, temos a tendência de achar que é um problema abstrato, que está longe de nós. Mas a verdade é que está cada vez mais próximo. Na tosse que leva milhares aos hospitais no inverno pela má qualidade do ar , no mar tomando o calçamento e chegando às fundações de prédios na orla de Pernambuco, no risco de extinção de animais que conhecemos na nossa infância e que nossos netos talvez nem venham a conhecer”, compara Rodolfo Sampaio.
“Enfim, a mensagem é: “faça alguma coisa pelo planeta”. Porque senão, você não vai ter planeta. Ainda há tempo. Cuide, ajude, incentive, ensine! Tudo que você fizer em prol da sua casa, que é a Terra, vai voltar para você” conclui Sergio Valente.

Veja o video comercial em  :  http://br.youtube.com/watch?v=1JR8CjAYxmc&eurl=http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/campanha_dm9_money/index.cfm

 Saiba mais em  :  http://www.wwf.org.br/

Taí a dica ! Espero que goste !

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A ciência, criadora de amor?

Dezembro 4, 2007 at 1:52 am (Artigos)

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A ciência estuda os mecanismos biológicos do amor e do desamor, problemas que “no futuro poderão ser resolvidos por meio da química”, assegurou (…) o médico e escritor Federico Ortiz Quezada. O especialista indica em sua obra “Amor e desamor” que “quando duas pessoas se atraem sexualmente, uma cascata de neurotransmissores percorre seu cérebro e seu corpo. Tais agentes são oxitocina, feniletilamina, adrenalina, noradrenalina, serotonina, dopamina, vasopressina e endorfina, assim como os hormônios sexuais testosterona e estrogênios”.

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Ortiz Quezada explicou que existe “toda uma série de hormônios relacionada ao relacionamento que está sendo investigada, e eles contribuem para que determinado tipo de animal seja fiel”. Além disso, lembrou que a química pode contribuir para solucionar problemas vinculados com a sexualidade, com medicamentos que resolvem problemas de disfunção erétil e menopausa, como a diminuição do desejo sexual, que é solucionada com a testosterona.

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Existirá um elixir para a paixão? Será possível no futuro estimular quimicamente a atração?

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O amor, a confiança e o carinho parecem ter muita relação com os hormônios e são muito mais cerebrais e intelectuais do que imaginamos.

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Por Marina Villén

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